quinta-feira, 24 de março de 2011

*Do meu desafio*

*Casa*
Vou construir um casulo em mim pra você morar.
Só porque eu achei você meio assim sem teto, sem eira nem beira, nem chão.
Só porque eu quis um motivo pra te ter por perto, te guardar na estante, ao alcance das mãos.
Só porque no cinza, tu foi verde.
E no fim da história mal contada, a borboleta sempre fui eu.
"João de Barro, eu te entendo agora".


Ps.: Traga-me de volta.

quinta-feira, 10 de março de 2011

*Carnaval*

*Bodas de lírios*

Mandei ladrilhar toda a avenida.
É que eu fiquei sabendo que você viria com bumbos, serpentinas e fantasias.
Afinei cada instrumento pra soar teu ritmo e reinventei cada gesto pra somar teus pontos. Pra te julgar desenvolto.
Mandei que me pintassem Colombina, só pra ti, Arlequim da vida inteira.
Gritei pra o mundo que tu rimaria uma melodia só pra mim. Samba-enredo pra essa história onde a gente se encontra mesmo quando se desencontra.
Aí, quando prestes a colocar meu bloco na rua, tu me vens dizer que esse ano não tem carnaval. Que eu ponha o pijama e coe o café, pra gente dormir mais cedo.
Não tem problema. Também sei amar calada.



Ps.: Ai Mestre Cartola...dai-me forças.
Ps².: Minha Tulipa. Ainda te sou Eucalipto?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

*Desentendidos*

* Só pra você saber *

Quando eu falei em emoções fortes, pensei em roda gigante ou mesmo dois "loopings" de montanha russa. Pensei na gente rindo feito dois malucos, sem parar.
Não imaginei, sequer por um segundo, tufões e terremotos. Nem que tu fosse capaz de passar assim: arrastando, desordenando, bagunçando tudo aqui dentro.
Quando eu te pedi que acelerasse mais, pensei em adrenalina. Em vento, cabelos e sensações. Liberdade, até.
Não em atropelos, arranhões, machucados. Nem em você, espezinhando esse amor que só te guarda.
Quando eu quis aproximação, pensei em dormir de conchinha: meu corpo no teu e minha alma na tua. 2 em 1.
Não pensei em sobreposição. Em dependência ou subserviência. Nem em você me exigindo, me sugando, limitando.
Quando pensei em nós, eu desejei apenas rir ao lado teu. Rir de ser feliz. Rir [e] ser feliz.
Aí você não entendeu.
Que culpa tenho eu?






Ps.: Das lágrimas que eu derramei esse fim de semana. Todas suas. Bom proveito.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

*A dois*

*Meu compasso*

Ele foi a primeira pessoa que dançou conforme a minha música.
Não ousou, não perguntou, não criticou, nem interveio...
Dançou. Como se conhecesse acordes, notas e ritmo.
Olhei aturdida quando o vi mover-se tal qual eu desenhara.
Tive medo.
Sempre pareceu mais fácil traçar uma melodia e esperar a primeira falha do arranjo. O primeiro passo em falso, o pliê desajeitado, o tombo. Os ritmos, sempre distintos do meu, deixavam claro a possibilidade - aceitável - de ficar sozinha no salão.
Ninguém conhecia minha música, então não adiantaria tentar...no fim só me restariam bolhas nos pés e cansaço na alma.
Aahh o amor...maestro das mais lindas sinfonias. Autor das mais belas canções. Culpado pelas emoções.
Uma vida toda de espera e ele, agora, ensaiando meus passos. Bem ali na minha frente. Como se eu, platéia, o recebesse protagonista da minha vida inteira. Antes sem cor, hoje furta-cor.
E a surpresa maior chegando quando ele mandou parar a orquestra. Me armei em 'nãos', me calei em 'sim', me fugiu o talvez.
- É que sua melodia encaixa direitinho na minha letra...vem, dança comigo?
Foi aí que eu entendi que não era mais minha música e, sim, a NOSSA música.
Começou a ter sentido.
Não me sinto mais sozinha no salão.



Ps.: Pra ele que já tinha escrito a poesia perfeita da minha melodia, antes mesmo daquele carnaval.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

*Pra ele*

*Declaração*

É que hoje me deu uma vontade maluca de dividir o meu melhor sorriso com você...
e partilhar meu abraço,
e te contar meus sonhos, mesmo aqueles que insisto em destilar sozinha,
e te pedir que esqueça todas as vezes em que exigi solidão
- eu quero mesmo é presença -
e te ceder minha vida, meu quarto, meu edredom
e te oferecer meu colo, meu corpo, meu gosto
e te viver sem medo
e te deixar ficar
e te morar pra sempre...
Quer amar comigo?



Ps.: "Deixa estar que o que for pra ser vigora" (M.G)
Ps².: Porque desde que chegastes, não me sinto mais sem teto. Tu és minha casa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

*Do adeus*


*...Que eu sempre quis dar*

Engraçado olhar as coisas assim hoje...de fora como quem assiste uma telenovela de quinta.
Tão distante que nem parece ter existido.
Às vezes penso que tudo não passou de tempo perdido e só eu - nessa minha teimosia quase eqüina - não me dei conta.
Desculpas? Não peça. Não espero. Nós dois sabemos que você não sente muito.
Perdão? Não espere. Ainda não atingi tal grau de evolução.
Façamos assim: enterrado numa caixa no fundo do quintal disso que se chama coração. E deixa lá!
Não fede, não cheira, não influi.
Passar bem.




Ps.: Porque eu ouvi a música. Espetáculo! Mas ninguém me avisou que era pra fingir. E o fato é que eu nunca tive vocação pra Pierrot.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

*Dos ais de todo mundo*

*Soldado*
"- Curiosidadezinha vagabunda, essa!"
Pensou enquanto cutucava aquele antigo ferimento de guerra.
No começo apenas um latejo, um desconforto, um qualquer. Aí a coisa toda foi se transformando, aumentando, distorcendo, cedendo, sangrando...Rendeu-se. Desertora que era de si mesma.
Antes da primeira lágrima, o nó na garganta. Sentiu vontade de gritar mas a voz emudeceu. Anos de combate ao vento, ao nada. Tanto esforço, tanta força.
Talvez ainda houvesse algo a ser dito, sentido, vasculhado. Talvez a linha que amarrava os pensamentos tivesse desatado ou rompido ou nem existido.
Talvez tivesse apostado na estratégia errada. Talvez.
Tentou voltar atrás, levantar imediatamente, seguir o comando, costurar tudo outra vez, mas era tarde. O sangue jorrava alto agora, a carne dilacerada, o corte ainda profundo.
Tanto tempo...
Tanta vida...
Tanta gente...
Tanto jeito...
Tanta coisa...
"- Curiosidadezinha mórbida, essa minha!"
Doeu. Mas como todas as dores, tornou-se suportável. Quase ausente. Dormente. Dor mente?
Não sei.
Já não sentia mais nada.
Ponto pra eles.
Ps.: De quando ela esquece o futuro, despreza o presente e insiste no passado.