segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Do dia 27/11

* e de mim *
Dessa vez eu tentei me enxergar do avesso. 
E tentei encontrar algo pra dizer que os anos fizeram efeito e agora -de fato- sou uma mulher. Tentei canalizar as emoções, repartir as lembranças e compartimentalizar as experiências...
Em vão. 
Ali, em meio a tanta bagunça de sentimentos, eu achei uma criança assustada. Sentada num canto, cabeça baixa, cotovelos apoiados nos joelhos...
-"E agora?"
Os olhos me lembravam alguém que já fui. 
- Eu não sei...
E peguei-a nos braços. Meu passado e meu presente, de repente, caminhando lado a lado na mesma direção.






Ps.:" Lights will guide you home/ and ignite your bones/ and i will try to fix you..."

sábado, 22 de outubro de 2011

Dessa noite

* De quando meu silêncio conversa com o seu *

Essa noite eu olhei pra ele e permaneci assim algum tempo. Pensativa.
- O que foi? - ele indagou com aquela ansiedade pueril que eu tanto admiro.
- Nada. É que eu tava procurando algo em você que eu não ame.
- E encontrou alguma coisa? - ele perguntou já achando aquilo tudo muito engraçado.
- Sim...1 milhão de motivos pra amar mais ainda!


Ps.: Hoje eu acordei achando que todos os personagens ocupam o seu devido papel, dessa vez. A gente entende bem de finais felizes, meu amor.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Do entregar-se...

*...por não caber mais em si*

"A gente se entrega nas menores coisas".
Os olhos entregam - eu disse isso a você uma vez.
Não importa que a boca emudeça as palavras, que os pensamentos fiquem embaralhados, que as vontades se confundam com a razão....os olhos sempre entregam. Só nos resta entender de rendição, aprendi contigo.
Aprendi que não importa o quanto eu me faça forte, os joelhos sempre amolecem quando você está por perto. E eu vou ter que saber lidar com isso daqui pra frente.
Aprendi que as horas podem brincar de voar, só pra me deixar esse gosto de "queromaisdagente". Desde que você chegou, me chamo saudade.
Aprendi que, se eu me distraio cinco minutos, meu pensamento vai te buscar onde quer que você esteja. E te guarda comigo, que é teu lugar.
E se bem queres saber - não, eu ainda não aprendi a resistir ao teu sorriso. E dizer não aos teus desejos. 
Os teus efeitos ainda me causam consequência, e eu ando procurando uma forma de cura pra esse vício que é me envolver contigo. Inútil. 
Já te quero, tu sabes. Já te sou, tu reconheces. Já te amo - fica sabendo.


Ps.: Pra ele que pintou de vermelho, minha vida cinza.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

*Carta pra Deus*


*Pra falar do beija-flor*

Há muito tempo eu não paro pra rezar.
Não usarei a correria do dia-a-dia pra justificar minha ausência. Tu me sondas e reconheceria, no mesmo instante, meu exagero e descaso.
Também não contarei as vezes em que chamei o Teu nome nos momentos de angústia. Não foram poucas e eu bem sei que todas essas vezes traziam consigo um pedido, raramente um agradecimento.
Mas hoje, não por acaso, eu precisei parar cinco minutos dessa minha soberba e conversar Contigo. Porque, mesmo distante, ainda trago a fé em algo maior e aceito que, quando não caibo mais em mim, é na Tua mão que devo entregar-me. Me escuta, então.
Tu deves ter Teus motivos para podar as flores. Tu deves saber de cada nascer e pôr-do-sol e quem sou eu para questionar-Te as decisões. Se me desespero é porque sou fraca e ser humana me dá esse direito. Não evolui o suficiente, em espírito, pra entender de perder. Pra entender o porquê da flor no asfalto. Pra entender o beijo na pele fria, antes dona do abraço quente. Pra entender as mãos que, sem vida, não correspondiam ao meu aperto. Pra entender o porquê de tanto sono quando todos nós só esperávamos ver um último olhar castanho. Pra entender o porquê da boca fielmente cerrada se todos ansiávamos por um último sorriso - aquele sorriso!
Pede a ela que não se zangue pelo meu desassossego. Se bem a conheço, a essa altura, já me olha daí com aqueles olhinhos marotos pronta pra um "Ow, sua besta!" Diz a ela que, mesmo sem querer, mesmo sem concordar que era forte o suficiente pra passar por aquilo, eu atendi o chamado. Porque eu sei que ela me queria ali naquele momento pra, de alguma forma, não estar sozinha. Fiz o que tinha de ser feito.
Diz que não ando sorrindo ultimamente porque a desesperança transbordou esses dias mas que, se tudo der certo e ela me cuidar naquelas horas em que os maus pensamentos me machucam, hei de ficar bem. De me apoiar em cima dos joelhos, ainda bambos pelo susto, e tentar seguir em frente.
Diz a ela que sinto saudades e, se choro baixinho no travesseiro, é porque ainda tinha muito a ser dito em silêncio. Nunca fiquei constrangida. É que era mesmo verdadeiro.
Hoje eu precisei falar-Te. Mais do que todos os dias.
Cuida dela pra mim e, se não for pedir muito, cuida também de nós que ficamos. Ainda todo mundo perdido.



Ps.: Camila, meu beija-flor, procuro uma forma de seguir em frente. Quando e como conseguirei, não sei. Perdoa o egoísmo, mas ainda não consegui te deixar ir. Tu moras em mim.
Ps².: Sabe aquele pôr-do-sol? Você tinha razão sobre ele. É todo seu.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

*Daquele dia...*


*em que você deu uma pausa*


Ela pediu que eu dissesse qualquer coisa. Qualquer coisa dessa coisa que se diz quando Marraquexe fica longe. Inalcançável.
Ela pediu que eu cantasse Chico ou citasse Vinícius.
Que, junto com ela, ensaiasse um Nelson Gonçalves...algo que gritasse o que insistia-se emudecido.
Acho mesmo que, no fundo, ela queria zombar do Amor. Pra intimidá-lo, pra afugentá-lo, pra desobrigá-lo.
O que ela esqueceu é que ele, o bendito Amor, é meretriz de ponta de esquina. Despudoradamente cínico, passado o fim de semana, ele volta. Sandálias na mão, pedindo arrego. E sempre encontra uma porta aberta.
"Então vem..." - eu disse - "Pega na minha mão e vamos ficar em silêncio. Porque toda saudade merece dois segundos de atenção. Só por ser saudade."
E ela chorou.





Ps.: Sabe...se não tivesse sido especial, em algum momento, não existiria a lembrança. Não sinta medo. Ainda acho o avesso, o seu melhor lado.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

*Das coisas que eu queria te dizer*


*[Monó]logo*


Eu não tenho direito algum de exigir nada de você.

Nem de dizer que errastes nisso ou naquilo, quando nem sei do que trata o certo.
Nem de menosprezar teu esforço em me fazer bem, quando nem ao menos sei do que preciso.
Eu não tenho direito algum de pedir que me entendas, me escute e me guarde, se eu me fecho em cúpula pra evitar que te aproximes. Se eu digo não, pra esconder o sim. Se eu digo "vou", quando quero ficar.
Eu não tenho direito algum de pedir que você pare, se eu não impus meus limites. O que eu gosto, como gosto, quando gosto, tu não podes saber nem eu cobrar-te. Ainda estou te inaugurando em meus desejos e em minha vida. Ainda é tudo muito novo, o que me permite a insegurança e te justifica o descaso.
Não posso querer que realizes todos os meus sonhos e te personificar em minhas fantasias. É muita responsabilidade e teus ombros franzinos, já aprendi, não podem com o peso das minhas desilusões.
Não posso depositar em ti, as minhas esperanças de antigamente. Tu ainda estás um pouco longe delas e eu sou um tanto egoísta quando se trata de cuidar de mim.
Me entendas, criança. É que um dia, não muito distante, eu acreditei em amor.
Triste fim, podes imaginar.
Hoje, até a felicidade me parece duvidosa. Paciência.






Ps.: Pé ante pé...a gente chega em algum lugar. Sem pressa.

*E o que se pode fazer..."

*...nesse presente instante?*

Ando observando minha vida pelo lado de fora.
Catando os cacos, me livrando do supérfluo, aparando arestas.
E não vejo nenhum motivo pra retificar os caminhos...
pra entrelinhar o que vivi, pra deixar de lado o que sinto e o que ainda posso fazer.
Concordo com o compositor quando diz que "nada é divino, nada é maravilhoso" e ainda acho mesmo que temos de nos acostumar com isso.
Não se pode exigir de algo, que seja tudo aquilo que se espera ver. Assim como não se pode exigir de alguém que este supere o que você, no fundo, deseja ter.
Ao contrário, devemos apreciar o melhor de cada coisa. De cada pessoa. Já que é bem possível que, um dia, também nós fomos avaliados pela esperança de outrem e não superamos suas expectativas.
Não, ninguém bateu a porta em minha felicidade nem espezinhou do meu apreço. É só que eu cansei de esperar que me surpreendam.
O velho feijão com arroz ainda me serve.
E pra bom entendedor pingo ainda é letra.




Ps.: Não se preocupa comigo. Conheço meu lugar.
Ps².: "Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração."