
*em que você deu uma pausa*
Ela pediu que eu cantasse Chico ou citasse Vinícius.
Que, junto com ela, ensaiasse um Nelson Gonçalves...algo que gritasse o que insistia-se emudecido.
Acho mesmo que, no fundo, ela queria zombar do Amor. Pra intimidá-lo, pra afugentá-lo, pra desobrigá-lo.
O que ela esqueceu é que ele, o bendito Amor, é meretriz de ponta de esquina. Despudoradamente cínico, passado o fim de semana, ele volta. Sandálias na mão, pedindo arrego. E sempre encontra uma porta aberta.
"Então vem..." - eu disse - "Pega na minha mão e vamos ficar em silêncio. Porque toda saudade merece dois segundos de atenção. Só por ser saudade."
E ela chorou.
Ps.: Sabe...se não tivesse sido especial, em algum momento, não existiria a lembrança. Não sinta medo. Ainda acho o avesso, o seu melhor lado.